Sabe quando você assiste uma série que cabe bem no contexto atual? Quando você olha para o personagem e para a história e te lembra alguém? Isso com certeza acontece com a série The Politician. Como o nome já diz, ela gira em torno de um político, ou melhor.. de Payton Hobart, um jovem que se preparou a vida toda para se tornar o presidente dos EUA e começa a trajetória se elegendo para ser o líder de classe.

A disputa tomou proporções que até parecia uma eleição presidencial para a república e teve candidato tramando contra o outro. Falando assim lembra a nossa última eleição com fake news vindo de todos os lados. 

O legal é ver que a série mostra um jovem se preparando para dar cada passo e não decepcionar os eleitores, porque ele queria que fosse algo limpo e estava pronto para mostrar que tem vocação para o cargo. Seria bom se fosse assim na vida real né? 

Mais uma vez o produtor Ryan Murphy traz um sucesso para a Netflix. Se você já é leitor aqui do blog, talvez tenha visto nosso post sobre O Assassinato de Gianni Versace e o produtor é o mesmo. Caso você ainda não leu, é só clicar aqui

A série The Politician foi criada por Ryan ao lado de Ian Brennan e de Brad Falchuk, o marido da atriz Gwyneth Paltrow que também está no elenco. Outras apostas foram Ben Platt (do filme A Escolha Perfeita), Lucy Boynton (a Mary de Bohemian Rhapsody - já falamos por aqui também, dá uma olhada), Jessica Lange (figurinha repetida nas produções de Murphy e marcou presença em American Horror Story) e Zoey Deutch (do filme de comédia Zumbilândia). 

The Politician lembra bastante O Assassinato de Gianni Versace pela fotografia com cores vibrantes, cenários luxuosos e estilos de figurino parecidos. Mas a série que estamos falando agora é carregada de críticas sociais, como a influência da internet (quando uma criança disse que ia ser vegetariana só porque viu no celular) e a diferença dos padrões de vida (visto quando a personagem Astrid fala que está cansada da vida de filha mimada e foge para ser uma cidadã comum, mas ela logo percebe que não tem lado bom se comparar sua vida rica). 

Claire Parkinson ao lado da irmã e assistente de figurino Lily Parkinson.

Agora vamos falar do que realmente interessa pra gente: o figurino. Como já é de se esperar, os personagens vivem em um mundo luxuoso, então suas roupas são mais sofisticadas e só alguns são exceção. 

O figurino foi feito pela dupla Lou Eyrich e Claire Parkinson. Eyrich é parceira de Ryan Murphy e trabalha com ele há 20 anos, alguns trabalhos feitos pelos dois são: Glee, Scream Queens, Feud, Pose e O Assassinato de Gianni Versace. Já Parkinson trabalhou como assistente de figurino no filme Gente Grande 2 (estrelando Adam Sandler) e essa é sua primeira experiência em série. 

Lou assina o figurino de Gwyneth Paltrow e de Jessica Lange, enquanto o restante ficou por conta de Claire. A série reforça a classe social dos personagens e a figurinista Claire Parkinson comentou à Vogue:  “A gente fala muito de classe e privilégio na série. E, obviamente trata-se de uma sátira, então, tive toda a liberdade para ousar e exagerar em alguns elementos”. 

Apesar dessa liberdade, as figurinistas já trabalharam com Ryan Murphy e sabem que desde o início ele já vai estabelecer os limites de como quer a série e geralmente os atores respeitam as escolhas do diretor. 

Elas fizeram reuniões para mostrar seus quadros de referência e uma das escolhas de Ryan foi de não usar preto nos personagens e ir para um lado mais colorido, por isso raramente você vai ver eles usando essa cor. 

As inspirações para as figurinistas foram as mulheres da alta sociedade das décadas de 60 e 70, como CZ Guest, Talitha Getty e Babe Paley, e as moradoras de Palm Springs que aparecem nas fotografias de Slim Aarons. Para saber mais dessas inspirações, clica aqui

equipe de figurino tinha mais de 20 pessoas, incluindo Lily, a irmã da figurinista Claire Parkinson como uma das assistentes. No total foram mais de 600 figurinos, é coisa pra caramba, né?

A personagem que você vai notar sendo a mais diferente é Infinity Jackson, interpretada por Zoey Deutch. 

Por conta da doença ela usa toucas para cobrir a falta de cabelo e não liga muito para aparência, por isso só usa moletons, tricôs e roupas mais infantis e que não condizem com sua idade. A paleta de cores combina com ela e mostra sua inocência em tons claros e delicados, como rosa e lilás. 

Infinity pensa que está com câncer, mas não sabe qual é porque sua avó não quis contar para ela não sofrer, mas o motivo dela esconder é bem mais complicado. 

Você já ouviu falar na Síndrome de Munchausen? É uma doença pouco conhecida, mas basicamente é um transtorno em que o paciente simula sintomas de doenças, vai atrás de tratamento e cuidados médicos sem precisar deles. 

Em The Politician, Infinity recebe injeções sem saber o que é e a avó não deixa que outros médicos façam exames nela, só um que é conhecido da família. E é nessa parte que entra a Síndrome de Münchausen por Procuração (SMPP), quando os pais inventam e provocam doenças no filho. 

A série se baseia na história real de Dee Dee e a filha Gypsy Blanchard que foi presa depois de descobrir a verdade e mandar o namorado assassinar a mãe, mas na produção da Netflix nada disso acontece. 

Outros personagens inspirados em pessoas reais, foram os gêmeos Martin e Luther Hobart (interpretados por Trey e Trevor Eason), os irmãos de Payton. 

A personalidade deles foi inspirada nos irmãos Menendez, condenados em 1989 em Beverly Hills, por matar os pais pela herança. Na série os gêmeos vêem o pai na cama do hospital e planejam o asfixiar para não ter chance dele acordar e reatar o casamento (assim não teriam mais a mãe e o outro irmão para dividir os bens). 

Eles tem um estilo preppy: calça cáqui, camisa polo, suéter e blazer. Essas peças são bem comuns entre os jovens da classe alta, como os do colégio Saint Sebastian High School na série. 

Payton Hobart (interpretado por Ben Platt) é bem mais discreto se for comparar com os irmãos, mas ele é completamente preocupado com a aparência, então nem um fio de cabelo fica fora do lugar. 

Só na primeira prova de roupa foram 29 figurinos diferentes e em alguns episódios ele chegou a usar 15 composições diferentes, segundo a figurinista. Ele começa a série com camisa e blazer para manter a pinta de candidato político, mas aos poucos as coisas perdem o rumo e quanto mais cansado e desiludido ele vai ficando, mais suas roupas vão deixando de ser uma preocupação.

Quando soltam um segredo dele, Payton fica até desanimado em voltar para o colégio e usa roupas normais para ficar parecido com os colegas de sala: com calça, camisa polo e tons que não chamam a atenção. 

A paleta de cores dele sempre lembra a bandeira norte-americana, com algumas transições entre o verde escuro e o vinho. Isso porque a figurinista Claire disse que suas inspirações foram Robert Redford no filme O Candidato, de 1972, e o presidente americano John F. Kennedy.

“O Payton se veste com a ideia de que ele é mesmo um político. Usa terno, mas também pensa em não alienar seu ‘público’, incorporando peças como tênis e camisetas”. 

Entre as marcas que ele usou estão Gucci, Ralph Lauren, Acne, A.P.C., Prada e Lowe. 

A rival de Payton é Astrid Sloan, interpretada por Lucy Boynton. Um estereótipo que cabe na personagem é de patricinha, sempre impecável, mas ela vai desconstruindo essa imagem que temos dela. 

Seu guarda-roupa é inspirado em Cher de Patricinhas de Beverly Hills e nas it girls Alexa Chung e Sienna Miller. “Uma fashion princess, que sempre pensa no look da cabeça aos pés antes de sair de casa. Ela mostra a sua voz através do que veste”, diz a figurinista Claire à Vogue

De família milionária e com um pai que sempre espera muito dela, Astrid nunca vai passar despercebida com looks básicos e ao mesmo tempo luxuosos com bolsas de grife da Chanel e peças Miu Miu, Dior, Chloé e Diane Von Furstenberg que ela usa ao longo dos episódios.

A evolução da personagem acontece quando ela percebe que se sente sufocada nesse universo rico e foge para Nova York duas vezes. Logo seu estilo já muda: ela abandona os conjuntinhos e vestidos de tweed, e tudo fica mais urbano. Quem diria Astrid usando moletom e jaqueta jeans? 

A tão esperada Gwyneth Paltrow interpreta Georgina Hobart, a mãe adotiva de Payton. Se você não lembra dela, ela é uma atriz norte-americana bem conhecida por vários filmes, como o antigo O Amor é Cego e por seu papel Pepper Potts, par romântico do Homem de Ferro em Vingadores. 

Ela é realmente a mãe coruja que faz tudo pelo filho, ao invés de se separar para ficar com sua amante a quem realmente ama, ela fica no casamento só para ter condições de ajudar Payton a seguir seu sonho de ser um político. 

Sempre elegante, ela usa peças com estampas sólidas e a maioria em corte de alfaiataria, mas em alguns episódios ela explora uma de suas paixões: a montaria, usando roupas apropriadas para subir no cavalo. 

A figurinista Lou Eyrich teve uma ajudinha de Elizabeth Saltzman, stylist da atriz, que conseguiu contatos com algumas marcas e garantiu boas peças Tom Ford e Gucci, como o cinto clássico com a letra G usado em seu look de montaria, um lenço estampado que ela usou para cuidar do filho doente, e um pijama de seda da coleção de pré-outono 2018.  

Uma curiosidade é que geralmente ela não se preocupa se a roupa está adequada para a situação e sempre se arruma demais, como na cena em que ela está fazendo jardinagem com um vestido vermelho Carolina Herrera. 

Ao contrário de Georgina, a avó de Infinity é Dusty Jackson e faz suas compras em lojas de departamento como Dress for Less. 

Ao assistir os episódios você vai notar que ela é bem exagerada na maquiagem, nos acessórios (com óculos enormes e até um pingente pendurado na unha da mão), usa várias calças legging com suéteres brilhantes e estampados. 

Alice Charles (interpretada por Julia Schlaepfer) era a namorada de Payton no início da temporada e foi uma das personagens mais desafiadoras para a figurinista Claire Parkinson. Em entrevista para a Vogue, a figurinista disse que o estilo de Alice não deveria ser todo contemporâneo, então se inspirou em Jackie Kennedy, mulher do presidente John F. Kennedy, na Princesa Diana e em Chanel.

Ela queria um estilo bem preciso, clássico e ao mesmo tempo preppy e colorido. Para garantir esse lado mais vintage ela escolheu suéteres, conjuntinhos de tweed e colares de pérolas da Chanel.  Alice também usou lenços e laços na camisa para deixar um toque mais delicado. 

O desafio foi encontrar suas peças em lojas físicas, então uma parte teve que ser feita sob medida porque não acharam a venda. 

Outra personagem que não podemos deixar de fora é o de McAfee Westbrook, amiga de infância de Payton e sua estrategista de campanha. As inspirações da figurinista foram David Bowie, Gloria Steinem, Katherine Hepburn e Mick Jagger.

Ela queria que McAffe não precisasse se esforçar para estar bem vestida e tivesse um estilo andrógino minimalista com uniformes vibrantes.  

The Politician ainda conta com outros personagens que são importantes para a trama, mas ficaremos com esses principais que já dão um banho de fashionismo à série.