De Meryl Streep à Saoirse Ronan, o filme Adoráveis Mulheres mostra que as diferentes gerações podem ter o mesmo espaço no cinema e através do roteiro deixa claro que cada mulher pode seguir o futuro que quiser, com ou sem um homem ao lado. 

O filme é a quarta adaptação em cinema do clássico da literatura norte-americana Adoráveis Mulheres escrito por Louisa May Alcott em 1868. Na telonas, a trama se passa durante a Guerra Civil Americana entre 1861 e 1865. Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh) crescem sendo pressionadas pela família para ter um bom futuro. 

No trailer você pode até ver a tia Beth, interpretada por Meryl Streep, dizendo a Jo que nenhuma mulher poderia trilhar seu caminho no mundo e que ela teria que se casar, mas é só assistindo ao filme que você vê como Jo lida com essa pressão. 

Greta Gerwig assume roteiro e direção dando continuidade à sua carreira promissora. Apesar de ser atriz, ela ficou conhecida por seu trabalho de direção em Lady Bird - A Hora de Voar (longa indicado ao Oscar 2018 em Melhor Filme e Melhor Diretor).

Adoráveis Mulheres está concorrendo ao lado de gigantes como Coringa, nas categorias de: filme, figurino, trilha sonora, roteiro adaptado e para fechar com chave de ouro Saoirse Ronan concorre a Melhor Atriz e  Florence Pugh a Melhor Atriz Coadjuvante.

 

Nós não podíamos deixar de falar sobre o figurino feito por Jacqueline Durran, vencedora do Oscar em Melhor Figurino por Anna Karenina (2012). Seu outro trabalho mais recente é o filme 1917, que também está indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme, e ela também está produzindo o novo filme do Batman. 

Para criar 75 figurinos, a figurinista e a diretora fizeram a pesquisa juntas, olhando em arquivos históricos: "Nós buscamos referências - arte e fotografia de 1860 - para pessoas que viviam fora do estilo vitoriano clássico, porque elas são artistas", conta Jacqueline Durran. Ela disse que tentou pensar nas personagens como integrantes de uma família mais radical com uma vida no interior a partir do que ela leu no livro. O figurino é sua interpretação da época porque sua intenção foi trazer uma nova versão do estilo Vitoriano de uma forma que as pessoas não estão acostumadas a ver.

A diretora Greta pediu para a figurinista que cada uma das personagens tivesse sua própria paleta de cores porque elas têm personalidades distintas: uma quer ser pintora, as outras atriz, musicista e escritora. Jacqueline Durran escolheu vermelho para Jo, verde para Meg, Marrom e rosa para Beth, e azul para Amy.

A figurinista não queria que cada atriz só usasse uma cor e por isso fez combinações que ficassem harmônicas nas cenas com todas elas. Sua combinação favorita foi usada na viagem das irmãs para a praia: "A cena dá a sensação do impressionismo americano da costa oeste no final do século 19. As cores, a luz e a liberdade que as meninas tinham na praia". 

Apesar de ter feito uma pesquisa extensa, a figurinista disse que o resultado final é uma mistura de peças da época do filme e de outras também. Um exemplo é a personagem Jo que não usa espartilho porque não combina com sua personalidade.

inspiração para ela foi a pintura High Tide de Winslow Homer por ter desenhos de pessoas no interior, assim como ela que não gostava de ficar em ambientes fechados. A ideia dela usar chapéu tipo boina saiu de uma dessas telas. 

Quando ela se torna uma escritora e se muda para Nova York, um estilo andrógino é escolhido pela figurinista para mostrar que ela cresceu, mas ainda é a mesma Jo. 

 Ela é a única das irmãs que nega tanto um romance e o lado sensível que as outras tem, então a peça não cairia bem e a figurinista escolheu camisas, jaquetas que parecem terem sido do seu pai e em algumas cenas a personagem usa emprestada as roupas de seu melhor amigo Laurie (interpretado por Timothée Chalamet). "Foi um jeito de representar o quanto eles eram próximos, o quanto Jo queria ser um menino e o quanto Laurie se identifica com ela". 

figurino de Laurie é diferente do restante dos homens que aparecem no filme porque a figurinista escolheu a modelagem de roupas de alfaiataria de 1840, enquanto o filme se passa em 1860. Isso acontece porque o personagem cresceu na Europa com o avó e quando se muda para os Estados Unidos, sem a ajuda de alguém para dizer que a moda mudou, suas roupas ficam ultrapassadas. 

Enquanto a irmã Jo não usa um estilo tão feminino, Meg é a romântica que sonha em se casar e o estilo tradicional cabia muito bem nela. Meg, interpretada por Emma Watson de Harry Potter, foi um desafio para a figurinista e ela pesquisou referências do romantismo e do gótico medieval. A figurinista encontrou um tipo de renda perfeita para mostrar a sensibilidade de Meg e para o restante das peças deu toques mais contemporâneos. 

A coroa de flores e os tons terrosos usados por Meg foram inspirados pelos pintores da Irmandade Pré-Rafaelita. Dois dos integrantes desse movimento também tem pinturas do Impressionismo que também foram referência para a personagem por causa de sua conexão com o mundo natural (flores, etc). 

Meg aparece com um estilo totalmente diferente na cena de um baile de gala, onde a figurinista disse que ela está tentando ser outra pessoa para impressionar, ela troca até seu vestido mais básico por um bem elaborado. Os vestidos que as atrizes usam nesse momento são de seda (tecido que as irmãs só usaram durante a infância), em tons pastéis e com modelagem parecidas: apertados na cintura e com bastante babado. A equipe que figurino provou várias cores em Emma Watson e o que ficou melhor nela era o rosa claro. 

Amy, interpretada por Florence Pugh, tem um figurino impecável porque ela sempre quer estar estilosa e apresentável. Desde pequena a personagem se preocupa com a aparência e aparece trocando de roupas com mais frequência, sempre está arrumando o cabelo e chegava até a apertar o nariz para tentar deixar mais elegante de perfil. 

Por ela estudar em Paris, a inspiração para seu figurino foi o impressionismo francês. O vestido branco com detalhes em preto que ela usa em uma das cenas com seu amigo Laurie, foi inspirado nos trabalhos de Claude Monet e Edouard Manet. 

A irmã mais nova Beth, interpretada por Eliza Scanlen, é a única que não deixa a cidade natal e por isso o figurino se mantém o mesmo com exceção de algumas peças que foram deixadas por Jo. "Beth representa a casa, a família e o lar. Ela era a mais calma entre todas as irmãs”, disse a figurinista. 

 Winslow Homer, o mesmo pintor que falamos no início do texto, também serviu de inspiração para Beth por mostrar seu lado delicado e caseiro. 

A tia Beth, interpretada por Meryl Streep, é quem representa a sociedade da época na família March, já que as sobrinhas não são pés no chão e precisam de alguém que as oriente pensando em seus futuros. 

Assim como as outras, ela também teve seu figurino inspirado em um pintura, o retrato feito por Cyrus Johnson. 

Por causa de sua idade e seu status social, de solteira rica, a figurinista optou por seda e cores escuras. A personagem sempre usa renda no cabelo e peças reais e originais da loja Fred Leighton em Nova York, onde peças vintages são encontradas com facilidade. 

O filme está sendo bem elogiado pela crítica principalmente pelas jovens atuações, mas será que vai ser o suficiente para ganhar em melhor figurino?