E mais um filme de realeza vem por aí!  Você já parou para pensar em quantos filmes existem mostrando a vida de reis e rainhas? É muita coisa mesmo: Henrique V, As Loucuras do Rei George, Elizabeth, A Jovem Rainha Vitória... A lista é longa e você já deve ter assistido algum. Mas por que será que isso acontece? Você também se interessa pelo assunto? Se sua resposta for sim, se prepara porque a próxima a ganhar um filme é Mary Stuart, Rainha da Escócia, e essa nós sabemos o porquê.. com uma vida tão trágica, um filme só não basta!   

 Mary se tornou rainha com apenas seis dias de vida, logo depois da morte do pai. Casou-se aos 15 anos com o Rei Francis II, virando Rainha Consorte da França. Ficou viúva aos 18 anos e teve que retornar à Escócia. A história só podia ser mais uma tragédia: foi presa e depois decapitada por planejar a morte de sua prima, a Rainha Elizabeth I. 

 A história da rivalidade entre Mary Stuart (rainha da Escócia) e Elizabeth I (rainha da Inglaterra) pelo trono da Inglaterra entre os anos de 1561 e 1587  já foi contada pela série Reign em 2013 e por vários filmes, como os dois chamados de Mary Stuart, Rainha da Escócia, um ainda em preto e branco com Katharine Hepburn (1936) e o outro com Glenda Jackson (1971). Agora foi a vez de Josie Rourke dirigir o drama histórico (êee uma diretora mulher!)  e convidar Alexandra Byrne para o figurino.

 A figurinista Alexandra Byrne pode até estar fazendo vários filmes geek como Thor, Doutor Estranho e Guardiões da Galáxia, mas sua paixão é o figurino de época. Ela foi indicada 3 vezes ao Oscar de Melhor Figurino (Hamlet, Elizabeth e Em busca da Terra do Nunca) e ganhou com “Elizabeth: A Era de Ouro” em 2008.

 Em entrevista para a Focus Features (produtora do filme Duas Rainhas, estrelado por Saoirse Ronan e Margot Robbie), ela disse que o período Elisabetano - 1558 a 1603 -  é perfeito para um figurinista por ter dados históricos e também por não ser exato de tão antigo que é, deixando espaço para várias interpretações criativas. 

 Sua experiência ajudou bastante no processo de criação do figurino de Duas Rainhas. Com o roteiro em mãos ela já conhecia a história da época, as roupas que usavam e se lembrou de quais peças ela poderia encontrar para alugar (por já ter trabalhado com filmes parecidos).

 E por saber que as roupas para alugar não teriam nada de novo, ela decidiu que iria criar peças diferentes. Para as personagens principais muitas peças foram feitas, com 17 looks diferentes para Elizabeth e 30 para Mary. A produção foi grande e cerca de 2500 peças foram feitas para os figurantes. É figurino pra caramba!

 A figurinista queria que as roupas fossem mais sexys, o que seria bem diferente do período Elisabetano , e o desafio era o orçamento e o tempo de produção - sempre eles. As peças tinham que resistir às gravações na lama e na chuva, para que ela não tivesse que fazer várias e extrapolar o orçamento. A solução dela foi limitar os materiais e usar tecidos que funcionassem sujos também: “Nesse período eles não tinham secadoras, eles suavam dentro das roupas e quando chovia, as roupas secavam no corpo”. O tecido que ela pensou que seria fácil de se adaptar assim é o jeans, já que todo mundo tem um que usa várias vezes: "Quando você tira seu jeans favorito, eles ficam com o seu formato. Eu queria que as roupas tivessem essa vida própria” , conta ao site Who What Wear

 A pesquisa para a produção das roupas foi intensa. Ela sabia que algumas roupas que estão em quadros da época não são reais, já que em um trabalho antigo ela se perguntou se a rainha Elizabeth I usaria um tecido com estampa de olhos e orelhas como estava numa pintura. Por isso a figurinista leu cartas e documentos da época para saber quais roupas eles realmente usavam. 

 A figurinista deixa claro que usou peças historicamente reais que viu em sua pesquisa, mas tudo foi adaptado: “Uma de suas damas de companhia (um tipo de assistente da corte) tinha a função de pegar do chão as jóias que caíssem da roupa de Elizabeth e eu não vou trabalhar com diamantes. Como uma figurinista você está tentando criar algo parecido, não produzindo um documentário. E, as duas rainhas nunca se conheceram, estamos contando apenas uma história”, contou ao Hollywood Reporter. 

 A roupa das personagens mostram o mundo bem distinto de cada uma. Enquanto Elizabeth I cresceu em um meio poderoso e construiu sua imagem sabendo como se vestir em cada ocasião, sua prima Mary Stuart acaba de retornar para a Escócia depois de perder seu título de rainha, suas jóias e seu estilo de vida. Nessa época ela não tinha um exército completo, a Escócia estava pobre e ela dependia dos Lordes, então ela não iria esbanjar luxo em suas roupas. Ao chegar na Escócia a personagem usa roupas azuis para remeter a cor da bandeira do país. A figurinista conta que usou lama, água da chuva e sujeira para decorar a roupa da rainha Mary Stuart na cena. 

 Mary, interpretada por Saoirse Ronan, é uma líder que se impõe nesse mundo masculino do filme e por isso a figurinista investiu em peças versáteis que ficassem entre o moderno e o período Elisabetano, como jaquetas de modelagem curta com mangas Elisabetanas e uma calça masculina. Na cena de sua execução, por ordem de Elizabeth, a personagem usa um vestido preto e depois revela por baixo o vermelho para simbolizar o mártir católico. 

 Elizabeth I, interpretada por Margot Robbie, começa o filme com roupas impecáveis: corset, babados e bordados. Depois de contrair varíola, a personagem teve uma mudança no visual e passou de tons alaranjados para uma paleta mais monocromática (além de ficar claro os sinais da doença em seu rosto). Mas logo depois de conhecer a personalidade de Mary, ela percebe que precisa se mostrar forte diante da doença e troca a peruca.

 Na pré-produção, a figurinista não fez croquis das roupas e ela disse ao Deadline que ao fazer esses desenhos você se limita e não se permite ter momentos mais espontâneos. Ao invés disso, ela faz uma pesquisa e cria um mood  board, um tipo de colagem com imagens que são inspiração para o personagem, como cores, estampas, tecidos, etc.  Foram feitos cerca de 30 mood boards e eles foram passados para Belinda Leung, a ilustradora que fez imagens de como seria o figurino a partir do trabalho da figurinista.  

 Nas ilustrações abaixo, criada por Belinda em um tablet, as flores que são associadas à Mary Stuart é a tagetes patula, em inglês Marigold, e o amarelo representa a fertilidade, sexualidade e a sedução.

 O filme ainda não está disponível nos cinemas brasileiros, mas você pode dar uma olhada no trailer para matar a curiosidade. 

Na premiação do Oscar 2019 tem 3 filmes com figurinos de época indicados ao Oscar de Melhor Figurino: Duas Rainhas, A Favorita e O Retorno de Mary Poppins. Voce tem algum palpite de quem leva o Oscar?