Mais uma cinebiografia de um astro do rock chega às telonas! A vez é de Elton John com o longa Rocketman, dirigido por Dexter Fletcher (o mesmo de Bohemian Rhapsody). 

O diretor já havia trabalhado com o ator principal Taron Egerton em Voando Alto (2016) e com o figurinista Julian Day no filme do Queen já citado aqui no blog (se você ainda não leu, é só clicar aqui). 

Rocketman não é a típica biografia que mostra só o lado bom das coisas e começa com Elton John em um grupo de ajuda para viciados, deixando claro que o cantor tinha problemas com álcool, drogas, raiva e em assumir sua sexualidade. Esse é um dos pontos positivos do filme, que traz essa intimidade com a história e permite que o ator explore vários ângulos da personalidade do astro.  

Na crítica do filme feita pelo Canal Tech, o autor deixa uma curiosidade: “O nome de Rocketman, para além do apelido que lhe fora dado, também tem outro significado: o do artista que alçou uma trajetória tão meteórica que mal pode prever o tombo gigantesco que levaria da vida”. 

O elenco é formado por Taron Egerton (Kingsman: Serviço Secreto), Richard Madden (Game of Thrones), Bryce Dallas Howard (Jurassic World:  Reino Ameaçado), Jamie Bell (Quarteto Fantástico), Gemma Jones (O Diário de Bridget Jones), Steven Mackintosh (Anjos da Noite: A Evolução), entre outros.

    Jamie Bell como Bernie Taupin ao lado de Taron Egerton como Elton John em Rocketman.  

 Taron Egerton (como Elton John) ao lado de Bryce Howard Dallas (como Sheila) e Richard Madden (como John Reid) em Rocketman.  

E nosso foco aqui é o de sempre: o figurino incrível feito por Julian Day. Ele já é bem familiarizado com cinebiografias dos anos 70, já teve a do John Lennon (O Garoto de Liverpool), do Queen (Bohemian Rhapsody) e agora a de Elton John. 

Ao receber a proposta, Julian Day conversou com o diretor Dexter e fez um panorama geral do que ele queria, leu o roteiro e chegaram a conclusão de que seria um musical de fantasia. Por isso, o figurinista falou que a principal diferença em relação aos outros trabalhos é que ele não precisou refazer as peças originais, ele só usou como uma base e teve liberdade criativa.

O cantor convidou o figurinista para ver seu acervo e fazer a pesquisa que ele precisasse. Julian Day admitiu que se sentiu em uma loja de doces: "Geralmente, sendo bem britânico, eu sou bem reservado. Para ser honesto, se eu fosse magro como Elton nos anos 70, eu teria provado algumas das roupas". 

Seu único desejo para o filme era que ao assistir o filme, Elton John pensasse: "Eu quero usar aquilo, eu queria ter usado aquilo, eu amaria ter usado aquilo". Para a felicidade do figurinista, na cena em que o ator Taron usa uma jaqueta de couro dourada, ele calça botas com asas e Elton amou. A equipe fez um par especial para o cantor com as iniciais E e J em cada pé.

A equipe de figurino usou mais de 50 pares de sapatos e mais de 50 óculos de sol para o personagem interpretado por Taron. De 88 looks feitos, apenas 1 foi replicado. A peça recriada foi o uniforme de beisebol usado por Elton John em 1975 para dois shows no estádio do time de Los Angeles, os Dodgers. "Eu mantive a silhueta, mas ao invés de usar lantejoulas, eu usei 140 mil cristais e escrevemos Elton 1 nas costas", disse Julian Day à Vogue.

As roupas de palco usadas na vida real pelo cantor foram feitas por Bob Mackie, o designer é conhecido por suas criações para a cantora Cher. E ao invés de copiar as peças, Julian preferiu "re-imaginar de onde ele tirava sua inspiração para todos esses elementos" e se inspirou em roupas do carnaval de Veneza e do Rio de Janeiro. 

O diretor de arte Marcus Rowland disse que as paletas de cores vão mudando. Entre o fim dos anos 50 e 60 no subúrbio Pinner de Londres, os sets são "claustrofóbicos e mundanos", por isso o figurino tinha que seguir cores que ficassem nesse estilo. O filme avança e no fim dos anos 60 até os anos 80, "os looks ficam mais vivos e mais exagerados, assim como o cantor na vida real". 

Quase 80% do filme foi gravado em cenários montados em Bray (subúrbio de Londres) ou em um armazém que tinha 12 sets montados. No total, Julian Day usou quase 1 milhão de cristais em 64 peças do figurino e em 40 óculos de sol: "Eles dão uma dimensão a mais e tem um reflexo legal neles. Eles elevam qualquer figurino". 

A roupa mais chamativa e mais importante do filme é o macacão laranja que o personagem usa nas cenas iniciais: "Foi a primeira parte do figurino que eu criei. Nós estávamos falando em como ele entraria na reabilitação. Ele tinha que estar vestindo algo espetacular quando isso acontecesse. Eu sabia que a cena seria toda branca e eu vesti todos os pacientes em preto, branco e cinza. Então a ideia dele chegando em uma fantasia de diabo laranja era perfeita porque ele estava em seu jeito mais tirânico e desesperado. Ele usa óculos de coração, o formato da peça da cabeça também era um coração e as asas eram um coração. Então é a ideia dele ser um personagem obscuro mas ainda chorar por amor e esperar que as pessoas escutem ele", o figurinista comenta

O macacão laranja foi feito em lycra com 140 mil cristais Swarovski colados à mão. Julian Day disse que essa peça representa um arco emocional no filme: "Ele começa e termina o filme e representa que o que ele realmente quer é amor. O filme lida com todas as décadas e aspectos diferentes da vida dele e eu estou criando esse arco emocional para ele".  

A roupa não pôde ser lavada durante os três meses de gravação por ser bem delicada e o ator Taron até brinca ao dizer que fica feliz em não ter que usar a roupa mais porque provavelmente está fedendo. Taron Egerton ficou muito feliz em trabalhar com Julian e disse que ele “é definitivamente o figurinista mais brilhante com quem já trabalhei, ele é incrivelmente colaborativo e entende a relação entre o figurino e a atuação". Ele lembra que o figurinista sempre se preocupava em como ele estava se sentindo e não pensava só nas roupas. Viu como a relação figurinista x ator é muito mais do que apenas os figurinos? 

Outra parte do figurino cheia de brilho é a "Yellow Brick Outfit" (o  figurinista chama a roupa assim porque o cantor teve uma turnê de shows com esse nome). A inspiração mais inusitada para essa composição foi o filme O Mágico de Oz: terno azul e sapatos vermelhos (cobertos de Swarovski) lembram a Dorothy; a blusa é feita com tecido prateado assim como o Homem-de-Lata; o chapéu de palha se parece com o espantalho; e o casaco de pelo é referência ao Leão Covarde.  Os casacos de pelo fake são da House of Fluff. 

Fora dos palcos Elton John não era tão extravagante, mas também caprichava nos detalhes que davam um diferencial. Como a maioria dos jovens dos anos 70, ele também usava jaqueta jeans, camisetas mais justas e calças boca de sino. Lembrando do que o diretor de arte falou sobre a paleta de cores evoluir, dá pra reparar que foram várias coisas que mudaram de acordo com o sucesso que ele alcançava. Quanto mais famoso ele ficava, mais livre e confiante ele se sentia para se expressar na moda com combinações de cores e estampas inusitadas. 

O figurinista Julian Day mostrou que o figurino, muitas vezes, consegue roubar a cena e Rocketman é aquele filme que sem a caracterização do personagem não teria a mesma intensidade e a sensação desse realismo. Seu trabalho fez tanto sucesso que ele foi convidado a participar do programa norte-americano Project Runway, uma competição de criação de roupas para passarela, e o desafio dos participantes foi elaborar uma peça como as do filme.

E você, se tivesse a chance de usar alguma das peças do figurino, qual seria? Deixa nos comentários qual é a sua favorita. Até a próxima com o post de uma série bem diferentona e cheia de glitter, algum palpite?